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Depoimento:

Antônio Papeleiro

A luta do Antonio dentro do Op talvez a melhor coisa que aconteceu na Vila dos
Papeleiros. " Não penso que um político sem sentir uma pressão vai fazer qualquer coisa
para o povo. Então a gente tem que se mobilizar para que nossos direitos sejam
respeitados. Se a gente soubesse os direito que tem, a vida seria bem melhor". O tempo
foi passando e Antônio aprendeu a enxergar o mundo de outra maneira. "Aprendi que o
povo unido é forte. Aprendi que posso falar. A primeira vez que falei numa reunião do
OP, a primeira vez que fiquei em frente do microfone, me senti tão pequenininho como
uma formiguinha no meio de um monte de elefantes...Mas conhecia as necessidades da
minha comunidade e, então decidi botar a timidez de lado e comecei a falar. Falei com o
coração, da vida aqui onde nem mesmo um cachorro não quer viver. Deu um impacto tão
grande..." Além das conquistas materiais, Antônio conseguiu modificar até a imagem dos
papeleiros. "Mais papéis e lixos apanhamos, menos árvores cortadas e rios poluídos,
explica. " Somos os pequenos que trabalham para a natureza e ela nos agradece. Às vezes
parece que a chuva pára no momento que saio com minha carroça. Já gosto deste
trabalho e, pelo OP, consegui valoriza-lo, nos valorizar como pessoas, como
trabalhadores".